38°57'35.77"N 8° 4'37.03"W

Que é feito da nossa Humanidade?



A Humanidade está a desumanizar-se a um ritmo senão alucinante pelo menos preocupante.
Vem isto a propósito da Indignidade com que os Agentes económicos e os Governos se acham no direito de ferir de Morte a Dignidade das Pessoas pondo-lhes entraves físicos, com o recurso a manobras financeiras, no acesso às mais básicas necessidades de carácter fisiológico com o argumento de que é preciso pagar os custos inerentes ao uso das instalações sanitárias.

CIMG4567

Na sequência da necessidade de uso do terminal rodoviário de Sete Rios em Lisboa, propriedade da empresa Rede eXpresso, cujos accionistas principais são: “ Rodoviária do Tejo, SA; Rodoviária do Alentejo, SA; Rodoviária da Beira Litoral, SA; Barraqueiro Transportes, SA; EVA Transportes, SA; Rodoviária da Beira Interior, SA; Rodoviária de Entre Douro e Minho, SA.” vi-me na necessidade de usar as instalações sanitárias do referido terminal.

CIMG4561


Fiquei chocado com a circunstância de me exigirem dinheiro para abertura de um torniquete de acesso aos referidos Sanitários. Não Paguei e Não Usei.
Dirigi-me ao balcão das informações e dirigi-me à Senhora que lá se encontrava e disse-lhe cortesmente mas de forma veemente que, “ tratando-se de tamanha indignidade, aquilo que ali se estava a fazer às pessoas, num claro abuso de posição dominante e num claro desrespeito dos mais elementares direitos humanos, não me restava senão exigir o Livro de Reclamações para nele redigir a minha pessoal indignação com tamanha crueldade.”
O livro foi-me prontamente apresentado sem uma única palavra da Senhora que anuiu sem pestanejar.

De seguida dirigi-me ao gabinete do Chefe da Estação Rodoviária que argumentou que “Tratando-se de propriedade privada o Patrão pode fazer o que quiser”. Ficou registada a sua posição e deixei bem claro que tudo farei para reverter este estado de coisas que na realidade é Inaceitável.

Sobre a circunstância de a entidade visada ter uma natureza privada não confere à mesma a possibilidade de fazer o que bem entender, sobre o que quer que seja que diga respeito às pessoas que serve, sob um ou vários Alvarás concedidos pelo Estado ou seja, Nós.

Nós, não autorizamos os nossos Governos a produzir qualquer legislação que promova o tratamento indigno das pessoas violando grosseiramente quer a Constituição quer o fundamento mais elementar das Carta dos Direitos do Homem.

Nós não autorizamos o Governo, seja ele de natureza central, regional ou local a conferir a quem quer que seja a possibilidade de tratar com indignidade as Pessoas sujeitando-as a uma posição de inferioridade por natureza de uma necessidade.

Sem entrar em aspectos de natureza jurídica ou técnica que se possam dirimir para defender qualquer posição sobre esta matéria interessa saber se é no estrito campo da mais simples Humanidade que deveremos alicerçar a nossa posição individual e colectiva sobre esta matéria.

Ao concessionário do Alvará concedido por Nós para o exercício do negócio que subjaz a uma necessidade pública ou privada de transportes desta ou de outra qualquer natureza
é exigido que disponibilize os serviços tidos por necessários para o uso das pessoas sem que isso belisque a sua dignidade. Na cobrança dos títulos de transporte têm de estar incluídos os custos que se acham necessários para o exercício da sua actividade, sem mais.

Se nada fizermos, daqui por mais uns tempos o mesmo concessionário, com o argumento de que ele é que mantém o ar respirável dentro das suas instalações, irá implantar dispositivos de respiração assistida na cara de cada utente com recurso a pagamento por débito directo na conta bancária e comunicação por wi-fi.

Por fim e porque se trata também de um assunto de saúde pública eis os resultados práticos desta indignidade e crueldade absoluta manifesta ironicamente à porta do Visado.

CIMG4564